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Artigo: Educação
Título: Salário para discentes |
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INTRODUÇÃO: A escravidão acabou? NÃO! Nossas escolas (senzalas modernas) estão cheias de escravos, os quais são obrigados a fazer trabalhos forçados sem direito de escolha, só recebem ordens e não podem contrariar a lei e a ordem estabelecidas, quanto mais rígida for a disciplina melhor. São punidos se desobedecem, recebem todo o tipo de humilhação e não recebem nenhum salário por isso. Todos esses anos de preparação educacional são usados para colocar seus conhecimentos adquiridos em um vestibular, como numa arena em que só vai sobreviver o mais forte, e o mais fraco será condenado à morte social. São instigados a acreditar que aquilo é para o bem deles, que, se fizerem tudo o que for exigido, no final, serão os mais beneficiados.
DISCUSSÃO DO PROBLEMA: Há, claramente, uma ideologia do mercado por trás desse tipo de ensinamento, a cortina de fumaça é colocada nos olhos dos estudantes, o mercado por trás de tudo isso passa imperceptível e sua responsabilidade é totalmente ignorada.
No final, serão obrigados a lutar uns contra os outros e quem sobreviver poderá desfrutar da pressão do poder corporativo.
Nesse contexto, está a figura do professor, o único que é remunerado para fazer parte desse grupo. Podemos questionar a remuneração do professor, mas nunca questionamos a remuneração do aluno.
Se é difícil para o professor ensinar, não é difícil para o aluno aprender?
A cada dia, mais conteúdo é exigido para o conhecimento, tanto do professor como do aluno, este com o acúmulo de todas as matérias que sofrem mutação constante.
De quem é o dever de educar?
É confortável para o mercado colocar a responsabilidade de educar para o Estado. Mas quem necessita da mão-de-obra especializada é o mercado e não o Estado. O Estado tem suas escolas para formar seu pessoal especializado para a área necessária à soberania da nação.
É o mercado que se apropria das pessoas formadas pelo Estado sem contribuir em nada para a educação dos seus futuros empregados.
Do imposto pago pelas empresas não se destina nada para o pagamento dos alunos, não se questiona que aquele aluno está em um processo de formação para o mercado e como tal tem de receber do mercado por estar se preparando para servi-lo.
Fala-se muito em trabalho escravo quando se vê uma reportagem do uso de mão-de-obra infantil em uma carvoaria ou no trabalho familiar, quebrando pedras ou descascando mandioca no interior de algum Estado.
Qual a diferença entre o trabalho braçal e o trabalho mental? O aluno está trabalhando sim, o estudo é um trabalho, e até agora não remunerado, nisto o trabalho braçal está, de longe, ganhando das escolas, visto que, por menos que se pague de alguma forma, as crianças recebem, seja uma ajuda da família, seja um centavo para a criança.
O aluno é um trabalhador em formação e deve ser remunerado por isso.
Quando uma grande empresa se instala em algum país, a educação da população é um dos itens que é levado em conta para decidir se aquele é o local certo para a implantação da empresa.
Isso mostra que o comércio é, sem dúvida, beneficiado por uma educação que foi paga pelo Estado. Qual o papel, então, do mercado no processo educacional da Nação?
O simples pagamento dos impostos não justifica a alienação do mercado no processo educacional, visto que todos nós pagamos impostos. A educação é um dever do mercado e não somente do Estado.
A quantidade de matérias impostas aos alunos é claramente determinada pela necessidade do mercado de trabalho e não uma necessidade de conhecer dos alunos. Aos alunos não é dado o poder de seletividade, ou seja, a grade escolar é determinada pelo mercado e não dá ao aluno o direito de escolha.
É o mercado que necessita de profissionais com aqueles conhecimentos específicos, o que impõe a todos um currículo obrigatório.
O aluno detesta aquela matéria, nunca vai escolher uma profissão voltada para aquela área, mas é obrigado a dar conta daquela disciplina e pode ficar retido se não se dedicar a ela, isso não é escravidão?
Se fosse em uma empresa, o profissional poderia processar o empregador por assédio moral por exigir um trabalho que não é da sua competência, mas, como na escola o aluno não pode perverter a lei e a ordem estabelecida, não existe advogado da educação para defender o direito do aluno. Excesso de trabalho já foi motivo de greves, revolução e criação de sindicatos.
Mas, na área de educação, você conhece qual é o sindicato dos alunos explorados? O aluno que reclama pode sofrer todo tipo de perseguição tanto por parte dos professores como por parte dos seus próprios familiares.
“Preguiçoso, não quer estudar, na minha época...”
É, realmente, na minha época, não tinha um Google.com com um universo de conteúdo que nem vivendo uma era dá para dar conta de conhecer tudo o que é disponibilizado, ou melhor, jogado lá.
Estamos usando computadores, porém com a mesma mentalidade e metodologia medieval. Não adianta usarmos tecnologia de última geração, pois ainda é uma metodologia de ensino da idade da pedra.
O sistema educacional e prisional não mudou nada desde a Idade Média, ainda chamamos de alunos (a palavra aluno significa aquele que não tem luz) aqueles que deveríamos chamar de estudantes.
Como o estudante não pode delegar a ninguém suas tarefas, ele se estressa tentando dar conta de tudo o que lhe é imposto. Depois se faz uma enorme quantidade de seminários para entender a evasão escolar.
Será que é por acaso que alunos entram em suas escolas armados matando todo mundo que vêem pela frente?
Que tipo de pressão a sociedade está impondo a eles, não temos culpa nenhuma no que está acontecendo?
A pressão para adquirir mais educação vem do mercado, não importa o nível que você chegou, ainda, não é suficientemente bom para o mercado.
A educação está divida em pré-educação mercadológica, educação mercadológica e pós-mercadológica.
O estudante é preparado para entrar no mercado de trabalho, seus primeiros anos de estudo são voltados para esse tema.
Quando já está inserido no mercado, seus conhecimentos não são suficientes, ele deve ser reciclado não importa o nível de educação formal que ele tenha.
O mercado exige que ele tenha o conhecimento atualizado, visto que, hoje em dia, o conhecimento é volátil, o que se sabe muda a todo instante, nem por isso o mercado paga para o funcionário estudar. A responsabilidade financeira dos estudos é do estudante ou de sua família, embora a necessidade seja do mercado, ele não toma para si a responsabilidade financeira do fato, é confortável para o mercado transferir para o estudante o custo de suas necessidades.
O sistema funciona de tal forma que o estudante se sente culpado por não ter a formação exigida, entendendo que é sua obrigação, não consegue entender que ele é uma vítima do mercado.
A educação pós-mercadológica acontece quando o estudante sai do mercado por um determinado período, ele deve ser readaptado ao mercado por meio de uma reciclagem de conhecimentos necessários para a reentrada do mercado.
O Estado dá a educação até um determinado nível, depois, fica por conta do estudante, o mercado exige o conhecimento e cabe ao estudante prover recursos financeiros para cumprir essa exigência.
Se o mercado necessita de uma máquina, ele é obrigado a adquirir custe o que custar, mas se ele precisa de conhecimento, os funcionários dele são os que devem arcar com as responsabilidades financeiras desse conhecimento. O conhecimento torna-se um produto que deve ser adquirido para a subsistência do mercado, portanto o mercado deveria pagar por ele.
É hora dos alunos decretarem a revolta dos informados, exigirem a criação de uma lei que os defendam de forma a dar direito à educação a todos, mas determinar até que ponto o aluno pode ser explorado pelo mercado.
O salário para o aluno é só o início da revolução, há muito que caminhar, mas alguém tem de dar o primeiro passo.
A proposta do salário é para os alunos de todos os níveis (infantil, fundamental, médio e superior)?
A resposta a essa questão é bem simples, o mercado tem interesse em todos esses níveis, ele se interessa em vender todo tipo de produto e serviços, para todos os públicos, dessa forma, a responsabilidade de pagar salário está em todos os níveis.
Você justifica dizendo que a educação é voltada para o mercado, é assim mesmo em todos os níveis?
O que no mundo não está envolvido de alguma forma com o mercado de trabalho? A questão que eu levanto é a responsabilidade social do mercado, o mercado que tem interesse em qualquer público, por isso mesmo tem responsabilidades com seu público, não importando o nível.
Se fosse pago, a educação não deixaria de ser direito?
Com 10% da população brasileira analfabeta, fica fácil entender que esse direito não está sendo respeitado. A educação não é, nem nunca foi, um direito de todos.
Não basta ter uma lei declarando que a educação é um direito, é necessária uma ação para fazer valer esse direito.
O Estado fará a parte dele preservando o direto à escola, e o mercado assumirá a responsabilidade de pagar o trabalho que seus funcionários estão tendo de aprender, o que interessa ao mercado.
O que se tem de entender é que o estudante é um funcionário, em um longo período de treinamento, para um mercado que tem interesse nesse treinamento.
Você concorda que toda a educação deva ser voltada para o mercado?
Existe alguma forma de impedir que o mercado não se aproprie da educação que o estudante adquiriu em sua formação? Mesmo que a educação não seja voltada para o mercado, isso não impede o mercado de se apropriar dos conhecimentos adquiridos para se beneficiar. Não vejo como separar esses fatos.
Qual a relação entre mercado e governo?
Cada um tem seu papel na educação, mas, atualmente, só um é responsabilizado por ela, o outro passa de forma imperceptível, somente se beneficiando da educação, porém não tendo nenhum compromisso firmado com ela, quanto mais invisível ele for tanto melhor.
PERPECTIVAS FUTURAS – REFLEXÃO: Se nada for feito para o estudante ter o direito de receber pelo longo período de treinamento que ele está submetido pelo interesse do mercado de trabalho, nada mudará, a quantidade de disciplinas aumentará ou não, dependendo do que for do interesse do mercado.
O estudante continuará a ser tratado como está sendo tratado agora pelo mercado, com indiferença, sem nenhum compromisso real com a educação, apenas esperando o resultado dela para se apropriar daqueles que não ajudou a formar. É necessário que os estudantes se mobilizem para enfrentar o mercado e exigir seus direitos.
Como aposentados, recebemos pelo que fizemos; como estudantes, deveríamos receber pelo que estamos sendo treinados para fazer.
PROFESSOR: JOSÉ ALBERTO RODRIGUES
Formação de docentes para o ensino superior
Contato: professorjar@gmail.com
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